29 outubro 2006

Eu,João...


[Eu, João] vi... descer do Céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, uma
Jerusalém nova» (Ap 21, 1-2).


Eu ,João,vi a cidade santa,a nova Jerusalém...O seu esplendor é como o de uma pedra preciosíssima,uma pedra de jaspe cristalino...Eis a tenda de Deus com os homens.Ele habitará com eles:eles serão o seu povo e Ele,Deus-com-eles,será o seu Deus.”

As palavras do Apóstolo desfilavam,ardentes,no meu espirito e apenas estava a contemplar,por entre os peregrinos,a Jerusalém terrestre,naquele fim de tarde que acendia esplendores de luzes e brilhos sobre a cidade.

Os crentes do Deus único,os povos da Escritura tinham marcado definitivamente a cidade com as suas diferentes formas de manifestação religiosa,concedendo um cunho singular e único a Jerusalém.Assim,o sol tombante imprimia fulgores sobre a cidadela de David,a cúpula dourada da mesquita de Omar e os vários capiteis arredondados que cobriam a Igreja ortodoxa de Santa Maria Madalena.

A cidade,três vezes santa,surgira por entre salmos de júbilo e era impossivel não pensar em todas as precedentes gerações que de coração assaltado por igual ansiedade,tinham feito,pacifícamente,o mesmo caminho e quantas vezes nas situações mais adversas.Conquistada Jerusalém aos Jebuseus pelo rei David,foi por ele aumentada dos muros da velha povoação existente.No Monte Moriah,ergueu o filho de David,Salomão,um templo grandioso cumprindo a promessa feita a Deus,por o Anjo do extermínio haver embaínhado a sua espada.

Do bem documentado livro do Pe J.Alves Terças “A Caminho da Terra Santa”,precioso para quem nela peregrina ,se pode ler que tendo levado o templo sete anos a ser construído,nele trabalharam diáriamente trinta mil operários dos melhores artistas de Israel.Dez mil trabalhadores seguiam todos os meses para o Libano para trazer as madeiras de cedro e pinheiro que deviam ser utilizadas no seu interior.Oitenta mil talhavam a pedra destinada aos ornamentos.400 anos depois o templo foi destruído em guerra sangrenta,a que se seguiu o exílio na Babilónia.

Jeremias,o profeta, lamentou sobre as ruínas ainda fumegantes,a cidade arrasada.Foi reconstruído o templo pelo rei Herodes,pouco antes do nascimento de Cristo,para ser de novo arrasado,com toda a cidade,70 anos depois da sua morte pelas legiões de Tito,o imperador de Roma.

Assim se apenas encontramos da cidade onde o Salvador sofreu a sua Paixão,o o muro ocidental do 1º Templo ,as escadas de Cedron que tantas vezes eram súbidas e descidas por Jesus,a caminho do Monte das Oliveiras ou um ou outro vestígio arqueológico como a Piscina Probática,não deixamos de sentir intensamente que pisamos terra sagrada,que é nossa pátria também, porque o mais importante,como dizia Saint Exupéry,não é visível aos olhos.

Em Jerusalém ,os Evangelhos tornaram-se vivos,em tempo e espaço palpáveis e não só na sua imorredoura mensagem.As cúpulas douradas das mesquitas no lugar do Templo,o Monte das Oliveiras, a Via Dolorosa, as Portas de Jerusalém e depois as infindáveis igrejas e basílicas sagram os lugares em que Cristo,viveu,pregou e sofreu.Alguns desses solos são históricamente autênticos pois Tito ao erger neles templos aos deuses de Roma,para evitar a veneração dos cristãos,assinalou para sempre os santos lugares e essa realidade torna facil e tocante acompanhar os passos de Jesus e estar com ele na última ceia ou no caminho para o calvário,mesmo no meio das ruas borbulhantes de comércio,que nos rodeiam,tal como no seu tempo,na parte velha de Jerusalém.

Eis assim como as estações da Via sacra se vão desenrolando emotivamente,com os peregrinos rezando cada uma delas e precedendo-as de uma pequena introdução.De coração fremente pela dignidade do momento e pela consciência da própria fraqueza,as palavras da 6ª estação-o encontro de Verónica com Jesus-foram saíndo aproximadamente por esta forma:“É uma mulher, que sai de casa para dar apoio a um condenado,arrostando a hostilidade dos seus cidadãos,que receiam as possiveis sanções do poder.Que também nos seja possivel dar a mão a quem precisa,sem sequer perguntarmos se pertence ao nosso lado,mesmo que com isso arrisquemos alguma coisa.”

Num sábado demandamos o “Kotel Hamaravi” ou seja a parede ocidental do Templo,também conhecida por muro das lamentações,onde os nossos pais na fé,choram ainda a sua destruição.E aí lembrámos quantas vezes subiu Jesus ao Templo,orando,ensinando ou protegendo o povo,que “que vinha a ele” desde manhãzinha.

No dia seguinte,depois de nos recolhermos no local em que se recorda o túmulo de David,a cuja estirpe pertencia Jesus,entrámos no Cenáculo,onde um grupo de peregrinos louvava o Senhor entoando cânticos vibrantes de profunda alegria,celebrando a entrega do Amor radical aos filhos do homem e que o anunciavam de forma transparente,tão cheios que eram de força,pujança e júbilo fazendo contraste com os cantos muitas vezes lamentosos,se bem que técnicamente perfeitos,que ouvimos nas celebrações religiosas,onde segundo creio,se assimila solenidade com tristeza,não chegando a reflectir o maravilhoso dom do Amor de Deus pelas suas criaturas e a alegria,que desse facto emana.
E se nos atormenta a mágua de sentir a terra de Jesus ainda tão ensombrada por ódios de tempos oprimidos,onde as palavras de Victor Hugo,que cito de cor, parecem vir muito a propósito :-”Comprazem-se o homens com a guerra e perde Deus tempo a fazer estrelas e flores”,não podemos esquecer as promessas do Salvador que nos levam a esperar que toda a Criação será por Ele atraída e transformada.

A última lembrança de Jerusalém está associada ao Santo Sepulcro,de que ficou uma memória dorida dos cristãos divididos,celebrando,à vez,o mesmo Senhor.E também a emoção do nosso hino tocado no orgão,depois da Missa,a singeleza da pequena capelinha copta,a percepção da pugente e solitária presença da Mãe Maria e das outras mulheres,na hora derradeira.

Ao despedir-me do Santo Sepulcro,senti,fortes,as palavras do Anjo da Vida: “Ressuscitou.Não está aqui” e a vigorosa profissão de fé de Job me acompanhou na angústia pressentida da partida :”Porque eu sei que o meu Redentor vive e que no último dia ressurgirei da terra e serei novamente revestido da minha pele e na minha própria carne verei o meu Deus.Eu mesmo o verei e os meus olhos O hão-de contemplar e não outro:esta é a esperança que está depositada no meu peito”.

23 outubro 2006

ENCONTRO DE DUAS SEDES


Muitas vezes as sagradas Escrituras nos falam da sede de Deus.De uma forma ardente ,os salmistas e os profetas encontraram as formas mais significativas de exprimir como os filhos do homem sentem intensamente a saudade de Deus.

A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei contemplar a face de Deus? (Sl 41,3) Ó Deus, vós sois o meu Deus, com ardor vos procuro. Minha alma está sedenta de vós, e minha carne por vós anela como a terra árida e sequiosa, sem água. (Sl 62,2) Estendo para vós os braços; minha alma, como terra árida, tem sede de vós. (Sl 142,6).

Por vezes a nossa terra árida não compreende ou não aceita a verdadeira causa de estar sequiosa.E na busca de sucedâneos o nosso eu profundo desgasta-se e perde-se. "Porque meu povo cometeu uma dupla perversidade: abandonou-me, a mim, fonte de água viva, para cavar cisternas, cisternas fendidas que não retêm a água". (Jr 2,13)

Mas a nossa sede não é única.O nosso Deus é um Deus envolvente.Também Ele, desde sempre, tem sede de nós.Não aceita a nossa demissão,os nossos abandonos.Pacientemente procura cada um de nós,como o mais amorável dos pais.

E no encontro, não cobre o filho extraviado apenas de beijos e abraços.Oferece os dons grandiosos que Jesus descreve com imagens das mais lindas que a visão humana pode atingir: …mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna". (Jo 4,14) "Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11)" (Jo 7,38) .

Na verdade,quem não se extasiou perante uma cachoeira ou uma cascata em que a poalha irisada de luz reveste a água com mil reflexos de um esplendor magnifico,que o Apocalipse descreve com palavras fortes e belas.

. "Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva". (Ap 21,6) "Mostrou-me então o anjo um rio de água viva resplandecente como cristal de rocha, saindo do trono de Deus e do Cordeiro". (Ap 22,1) Senhor,faz-nos compreender que apenas a tua água viva pode saciar a nossa sede!

Senhor,faz que a minha e a tua sede se encontrem no abraço , que anuncia as núpcias eternas!


Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, curando todas as doenças e enfermidades entre o povo. (Mt 4,23)

A Ti, Rei Imortal de um Reino sem guerras,sem poder,sem humilhados, sem excluidos...

Um reino de serviço,de paz,de bem estar, Te peço a luz suficiente para o construirmos isolando as nossas mesquinhices,quezilias,invejas, a imposição das nossas verdades.

Para que aceitemos o mandamento , que nos cura e exalta na plenitude da nossa humanidade: o comando do AMOR! Assim o tempo,o nosso tempo,será todo ele um ganho!

19 outubro 2006


"Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes". (Mt
25,40)

S.João da Cruz canta, com um toque de paixão, o amor esponsal entre a alma e Deus.

Não é por acaso que ele pediu q em vez da oração dos agonizantes lhe lessem o Cântico dos Cânticos ,na hora da morte.

Mas este amor esponsal é diferente do humano , que se esgota em disfrutar a pessoa amada...

No amor a Deus e de Deus a sua dimensão é tal que tem a alma,como no mandamento supremo ,de celebrar núpcias com Deus-Totalmente Outro e com Deus-nos pequeninos.

10 outubro 2006

a oração dos importunos


De muitas maneiras Jesus nos faz sentir que a oração faz parte integrante do cristão.

Como está escrito em Lucas 18,1 - Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo.

Para que compreendamos bem qual o valor que tem para o Pai a nossa comunicação com Ele,recorre a parábolas ,em que com cores bem vivas ,nos descreve que devemos ser até importunos,insistir sem desfalecimento,não desistindo ,de em harmonia com a vontade de Deus, fazermos os nossos pedidos e súplicas,como é próprio dos filhos.(Lucas 18,2).

Assim nos fala Jesus da viúva ,que conseguiu obter justiça pela sua persistência (Lucas 18,2) ou do amigo que conseguiria alcançar os pães necessários,porque não se cansava de os pedir.(Lucas 11,5).

O dinamismo da nossa relação com Deus dá-nos essa intimidade com uma aproximação tão intensa,que permite até sermos importunos.

Que prova de amor tão grande o Pai nos concede ,que como abdicando da sua grandeza e glória,nos aproxima Dele em dialogo tão familiar,como só um Abba cheio de ternura e de complacência por estes seres frágeis que somos ,mas a quem quiz entregar a graça da filiação divina.

Diz S.Paulo ,lançando-nos nos braços amorosos do Pai: 6. Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a acção de graças.Fl 4

Mas em todos os nossos pedidos e súplicas sempre estará presente o maior dom que o Pai nos pode conceder : 13. Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem.Lucas 11

Na verdade,no nosso coração, apenas com o Espírito Santo podemos implorar:Abba,Paizinho querido,Pai Santo,Pai bem amado.

07 outubro 2006

A VONTADE DE DEUS


A vontade de Deus manifesta-se no salmo 128: contemplar um dia todos os seus filhos, como rebentos de oliveira, ao redor da sua mesa .Por isso e para isso nos escreveu uma longa carta de amor, que se estende por milhares de páginas.
.Nelas comunica o Seu amor por nós ,amor de tal maneira forte,que vai até ao ciúme.(Tg 4,5)Uma carta de amor exigente e terno,que faz e renova uma aliança com o homem e que se desenvolve em gerações continuas até atingir a própria incarnação da Palavra,no Senhor Jesus. (João 1,14).

Uma declaração de amor que exprime de forma bem clara e afirmativa a Sua intervenção a nosso favor: "em todas as suas aflições. Não era um mensageiro nem um anjo, mas sua própria Face que os salvava. No seu amor e na sua ternura ele mesmo os livrava do perigo. Durante o passado sustentou-os e amparou-os constantemente". (Is 63,9)Uma declaração de amor que conforta e anima: “De longe me aparecia o Senhor: amo-te com eterno amor, e por isso a ti estendi o meu favor". (Jr 31,3). "O Senhor teu Deus está no meio de ti como herói Salvador! Ele anda em transportes de alegria por causa de ti, e te renova no seu amor. Ele exulta de alegria a teu respeito" (Sf 3,17).

Uma declaração de amor que nos revela como a palavra do Senhor cura e fortalece: "Respondeu o centurião: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado". (Mt 8,8). "Pela tarde, apresentaram-lhe muitos possessos de demônios. Com uma palavra expulsou ele os espíritos e curou todos os enfermos". (Mt 8,16)

Uma declaração de amor que nos tem como alvo absoluto,que pede a nossa adesão,o nosso abrir de coração à expansão da vida divina que nele habita.Que se faz alimento, em nós, como o pão de cada dia : "Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3)". (Mt 4,4).Que produz frutos abundantes: "A terra boa semeada é aquele que ouve a palavra e a compreende, e produz fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por um". (Mt 13,23).

Uma declaração de amor,que somos convidados e ajudados a transmitir para que seja possível festejar as núpcias do Cordeiro acompanhados de muitos e muitos irmãos,sentados ,como rebentos de oliveira ,em redor da mesa de Deus-Pai:. "Os discípulos partiram e pregaram por toda a parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam". (Mc 16,20)

01 abril 2006

...muito fruto



Evangelho segundo S. João 12,20-33. Entre os que tinham subido a Jerusalém à Festa para a adoração, havia alguns gregos. Estes foram ter com Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e pediam-lhe: «Senhor, nós queremos ver Jesus!» Filipe foi dizer isto a André; André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora de se revelar a glória do Filho do Homem. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto. Quem se ama a si mesmo, perde-se; quem se despreza a si mesmo, neste mundo, assegura para si a vida eterna. Se alguém me serve, que me siga, e onde Eu estiver, aí estará também o meu servo. Se alguém me servir, o Pai há-de honrá-lo. Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de Eu dizer? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente para esta hora é que Eu vim! Pai, manifesta a tua glória!» Veio, então, uma voz do Céu: «Já a manifestei e voltarei a manifestá-la!» Entre as pessoas presentes, que escutaram, uns diziam que tinha sido um trovão; outros diziam: «Foi um Anjo que lhe falou!» Jesus respondeu: «Esta voz não veio por causa de mim, mas por amor de vós. Agora é o julgamento deste mundo; agora é que o dominador deste mundo vai ser lançado fora. E Eu, quando for erguido da terra, atrairei todos a mim.» Dizia isto dando a entender de que espécie de morte havia de morrer.

O grão de trigo para dar fruto tem que morrer...de morte sangrenta na cruz,nas arenas de Roma ,na mira de uma espingarda ou de morte continuada ,por renúncias sucessivas,em dias cinzentos de rotina . Parece paradoxal ,como programa de vida a adoptar, se Jesus nos anuncia uma vida em abundância e uma alegria completa.

O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir. Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância. (Jo 10,10) Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. (Jo 15,11)


Mas Jesus habituou-nos às contradições desde que quiz passar pelo ventre de mulher,absolutamente inerme e sem defesas.Ele o Criador,o Todo Poderoso,o Deus forte,Adonai,Princípe da Paz,como referia Isaías. Não nos tinha já avisado Simeão.

34. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições.Lucas 2

Talvez a resposta seja que é esta a unica Fé em que Deus procura o homem e o acompanha em todos os momentos de dor a que a humana condição o sujeita,em que Deus serve o seu povo,em que o liberta de cultos e rituais asfixiantes,que tem sede da sua própria criatura acolhendo quem Dele se aproxima vindo de todas as latitudes ou vivências.

A única Fé,que para celebrar o Amor,reverte o fracasso em vitória,transforma a morte em vida eterna para aqueles que se oferecem em serviço ,no obscuro de uma vida entregue,seguindo o Mestre na sua forma misteriosa de celebração

26 março 2006

só porque sim






Evangelho segundo S. João 3,14-21.

Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto,
a fim de que todo o que nele crê tenha a vida eterna.
Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna.
De facto, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele.
Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no Filho Unigénito de Deus.
E a condenação está nisto: a Luz veio ao mundo, e os homens preferiram as trevas à Luz, porque as suas obras eram más.
De facto, quem pratica o mal odeia a Luz e não se aproxima da Luz para que as suas acções não sejam desmascaradas.
Mas quem pratica a verdade aproxima-se da Luz, de modo a tornar-se claro que os seus actos são feitos segundo Deus.»


Muitas vezes falam os relatos evangélicos das razões da encarnação:

Pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido. (Lc 19,10)

"Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão". (Mt 20,28)

"O Filho do Homem não veio para perder as vidas dos homens, mas para salvá-las.] Foram então para outra povoação". (Lc 9,56)

"Ide e aprendei o que significam estas palavras: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício (Os 6,6). Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores". (Mt 9,13)

"E ele respondeu-lhes: Vamos às aldeias vizinhas, para que eu pregue também lá, pois, para isso é que vim". (Mc 1,38)


"Ouvindo-os, Jesus replicou: Os sãos não precisam de médico, mas os
enfermos; não vim chamar os justos, mas os pecadores". (Mc 2,17)

"Eu vim lançar fogo à terra, e que tenho eu a desejar se ele já está aceso?" (Lc 12,49)


"O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir. Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância". (Jo 10,10)

"Se alguém ouve as minhas palavras e não as guarda, eu não o condenarei, porque não vim para condenar o mundo, mas para salvá-lo". (Jo 12,47)

"Perguntou-lhe então Pilatos: És, portanto, rei? Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz". (Jo 18,37)

Mas todas se resumem ,à razão que plenifica a vontade do Pai na Sua entrega do Filho ,e ela é o AMOR que nos tem.

Passam centenas de anúncios nos meios de comunicação que acabam na mesma frase: porque vc merece...Como é salutar e revigorante e estimulante termos Alguém que nos ama ,não porque mereçamos,mas apenas porque sim!

Seremos capazes de fazer o mesmo? A que viemos?

18 março 2006

Eu quero a misericórdia...



Evangelho segundo S. João 2,13-25. Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os vendedores de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas nos seus postos. Então, fazendo um chicote de cordas, expulsou-os a todos do templo com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas dos cambistas pelo chão e derrubou-lhes as mesas; e aos que vendiam pombas, disse-lhes: «Tirai isso daqui. Não façais da Casa de meu Pai uma feira.» Os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devora. Então os judeus intervieram e perguntaram-lhe: «Que sinal nos dás de poderes fazer isto?» Declarou-lhes Jesus, em resposta: «Destruí este templo, e em três dias Eu o levantarei!» Replicaram então os judeus: «Quarenta e seis anos levou este templo a construir, e Tu vais levantá-lo em três dias?» Ele, porém, falava do templo que é o seu corpo. Por isso, quando Jesus ressuscitou dos mortos, os seus discípulos recordaram-se de que Ele o tinha dito e creram na Escritura e nas palavras que tinha proferido. Enquanto Ele estava em Jerusalém, durante as festas da Páscoa, muitos creram nele ao verem os sinais miraculosos que realizava. Mas Jesus não se fiava deles, porque os conhecia a todos e não precisava de que ninguém o elucidasse acerca das pessoas, pois sabia o que havia dentro delas.

Aqui está uma das minhas maiores dificuldades...este texto do Evangelho... Jesus manso e humilde de coração,que nos mandava o amor como mandamento supremo e amar até os inimigos,responder ao mal com o bem..que repreendia os discipulos, quando queriam tomar atitudes violentas e desta vez....parece que há uma contradição numa reacção tão dura e tão excepcional. Jesus não frequentava o Templo, no local que lhe era destinado o atrio dos homens...o lugar dos sacrifícios...ensinava ali no átrio dos gentios entre aquela multidão de judeus e pagãos que a ele afluiam ,sobre a vigilância estrita das legiões romanas colocadas, bem perto ,na torre Antónia,sempre atentas a que alguma revolta ou conflito se manifestasse. Os sacrifícios desenrolavam-se continuamente para expiar os pecados ou pedir e agradecer graças...

No dia seguinte, imolaram as vítimas ao Senhor, e ofereceram em holocausto mil touros, mil carneiros e mil cordeiros, com as libações ordinárias, e outros sacrifícios em grande quantidade por todo o Israel". (1Cr 29,21)

O sangue das vitímas corria por carreiros ,o fumo do incenso misturava-se ao cheiro das entranhas fumegantes,as gorduras rechinavam,os animais exalavam o cheiro penetrante da carne queimada.

Os negociantes vendiam mais e mais animais: bois para os mais ricos e poderosos,pombas e cordeiros para os de mais fracos recursos. Os cambistas trocavam as moedas dos forasteiros pela moeda em curso.

O ambiente estava ao rubro da vozearia,dos anúncios gritados aos animais que ofereciam melhores condições para o sacrifício,das pessoas que se empurravam e clamavam,dos animais que mugiam ou baliam.

Já os profetas do Antigo Testamento haviam compreendido que não era aquele o louvor,que não era aquele o culto que Deus pretendia.

Samuel replicou-lhe: Acaso o Senhor se compraz tanto nos holocaustos e sacrifícios como na obediência à sua voz? A obediência é melhor que o sacrifício e a submissão vale mais que a gordura dos carneiros". (1Sm 15,22)

11. De que me serve a mim a multidão das vossas vítimas?, diz o Senhor. Já estou farto de holocaustos de cordeiros e da gordura de novilhos cevados. Eu não quero sangue de touros e de bodes. 12. quando vindes apresentar-vos diante de mim, quem vos reclamou isto: atropelar os meus átrios? 13. De nada serve trazer oferendas; tenho horror da fumaça dos sacrifícios. As luas novas, os sábados, as reuniões de culto, não posso suportar a presença do crime na festa religiosa. 14. Eu abomino as vossas luas novas e as vossas festas; elas me são molestas, estou cansado delas. 15. Quando estendeis vossas mãos, eu desvio de vós os meus olhos; quando multiplicais vossas preces, não as ouço. Vossas mãos estão cheias de sangue, 16. lavai-vos, purificai-vos. Tirai vossas más ações de diante de meus olhos. 17. Cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido; fazei justiça ao órfão, defendei a viúva.(Is 1)

Que me importam o incenso do Shabat e as canas aromáticas de longínquos países? Não me agradam vossos holocaustos, nem me comprazem os sacrifícios". (Jr 6,20)

porque eu quero o amor mais que os sacrifícios, e o conhecimento de Deus mais que os holocaustos". (Os 6,6)
"quando me ofereceis holocaustos e ofertas, não encontro neles prazer algum, e não faço caso de vossos sacrifícios e animais cevados". (Am 5,22)

Jesus ,que nos revelou seu Pai na plenitude dos tempos,conhecia que era vão aquele culto,que a relação com Deus nada tinha de relação comercial,de deve e haver com a divindade,que se deixava aplacar pela morte sacrificial de animais. Ele havia dito:

Ide e aprendei o que significam estas palavras: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício (Os 6,6). Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores". (Mt 9,13)

Naquele momento,naquela hora essa terrível assimilação a uma falsa imagem do Pai,deve-se ter tornado intolerável e como verdadeiro homem não se conteve,sem mostrar o seu direito à indignação,por aos pequenos e injustiçados não ser facultado o conhecimento ,o amor do Pai.

Mas nós próprios teremos que reflectir se nos nossos templos não nos constituiremos também alvo da indignação de Jesus ao negarmos aos outros a verdadeira face do Pai?

13 março 2006

tão breve...mas tão certo


2. Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a
sós a um alto monte. E3. transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se
resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as
pode fazer assim tão brancas.4. Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com
Jesus.5. Pedro tomou a palavra: Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos
três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.6. Com efeito,
não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados.7. Formou-se
então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: Este
é o meu Filho muito amado; ouvi-o.8. E olhando eles logo em derredor, já não
viram ninguém, senão só a Jesus com eles.9. Ao descerem do monte, proibiu-lhes
Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho do
homem houvesse ressurgido dos mortos.(Mc 9)
Pai…sabes ..eu tb queria montar a minha tenda com Pedro e os apóstolos…estava-se tão bem…tranquilos…
uma sensação de bem estar e de plenitude q a visão do Teu Filho envolto em glória proporcionava…a nossa humanidade desfigurada tb se sentia transfigurar…não havia mais escória a queimar
..só luz…só esplendor..
mas de repente Pai,fiquei sem nada…tudo estava igual…Jesus estava só e o anuncio da Paixão..doloroso e triste era o q ouvia…tive muito medo…senti-me triste ,com frio e o abandono fazia fremir o meu pobre ser de barro..

Difícil ,muito difícil,meu Pai conjugar o finito e o eterno…aceitar que apenas na Fé coninuamos unidos,,,mas em escuridão…!

Assim,tu ao Pai,nosso Devedor pela Promessa q fizeste ao criar-nos para Ti,não desampares a minha solidão,a minha inquietude de não poder ter-Te aqui,agora e já …!!!

06 março 2006

O Reino e a cidade dos homens




Evangelho segundo S. Marcos
1,12-15. Em seguida, o Espírito impeliu-o para o deserto. E ficou no deserto
quarenta dias. Era tentado por Satanás, estava entre as feras e os anjos
serviam-no. Depois de João ter sido preso, Jesus foi para a Galileia, e
proclamava o Evangelho de Deus, dizendo: «Completou-se o tempo e o Reino de Deus
está próximo: arrependei-vos e acreditai na Boa Nova.
Assaltam-nos diáriamente mensagens com cenários apocalipticos,avisos e visões que anunciam o fim dos tempos. Jesus inicia a sua pregação com o anúncio do Reino…151 vezes o Reino é citado no Novo Testamento,o que mostra a sua importância.

A urgência do reino parece já não interessar as pessoas absorvidas com as profecias de fim do mundo. mas não nos é permitido adoptar uma espécie de dormição piedosa como se o Reino de um sonho impossivel se tratasse e acomodar-mo-nos a uma vivência pessoal e solitária de Deus em desistência de uma transformação comugante do mundo e da sociedade em que estamos imersos ,como um fermento actuante e vivo.

Jesus não faz de Si,mas do Reino o objectivo a alcançar que é também o nosso urgente e imediato objectivo. Quanto ao dia e a hora...não fiquemos estarrecidos e imobilizados...nada sabemos ...só o Pai...até lá sejamos vigilantes e serenos...construindo o Reino .

Mas o que é o Reino? Como está entre nós e ao mesmo tempo o pedimos em oração?

O Reino está em gestação na história, mas a sua plenitude está para lá da história. No Pai-Nosso, Jesus ensina os discípulos a pedirem ao Pai a vinda do Reino (Mt 6, 10; Lc 11, 2). Mas como presente na história dos filhos dos homens significa busca constante.
Mt 6,33 - Buscai em primeiro
lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em
acréscimo.
Apesar de que sempre vamos encontrar as tentações de Jesus...confundir o Reino de Deus com os da terra...confusão dos contemporâneos de Jesus e nossa também.

Porquê a necessidade de termos a basilica maior e mais sumptuosa,os cerimoniais mais requintados e impressionantes,os objectos e paramentos de culto mais recamados de ouro e pedrarias? De nos queremos evidenciar ...numa autosuficiência de orgulho ?De não ouvir ou acolher o outro? Sim,muito nos é difícil buscar ao Reino de Deus como Jesus nos ensina...

Um Reino em que o serviço,a modéstia,a humildade ,o amor são as joias encastoadas mais preciosas e caras ao Rei mas muito mais difíceis de oferecer .

11 fevereiro 2006

VI Domingo - as multidões



Mac 1,45 Ele, porém, assim que se retirou, começou a proclamar e a divulgar o
sucedido, a ponto de Jesus não poder entrar abertamente numa cidade; ficava
fora, em lugares despovoados. E de todas as partes iam ter com Ele .

Jesus cumpria,rigorosamente,o seu programa de acção que havia publicitado na pequena sinagoga de Nazaré,no início da sua vida pública.
18. O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para
anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, 19. para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor.Lucas 4

De uma maneira modesta,sem alarde,recolhidamente curava sem que houvesse anúncio prévio ou chamada de atenção.

Mais do que sinal do Seu poder as curas realizadas eram manifestação da sua misericórdia.Tinha compaixão deles - está escrito.

Ao longo destes relatos de Marcos vimos as multidões acorrerem sequiosas das palavras de Jesus,do seu afecto,da maneira de os libertar do que os oprimia e descriminava.

Mc 2,2 - Reuniu-se uma tal multidão,
que não podiam encontrar lugar nem mesmo junto à porta. E ele os instruía. Mc
2,4 - Como não pudessem apresentar-lho por causa da multidão, descobriram o teto
por cima do lugar onde Jesus se achava e, por uma abertura, desceram o leito em
que jazia o paralítico. Mc 2,12 - No mesmo instante, ele se levantou e, tomando
o leito, foi-se embora à vista de todos. A multidão inteira encheu-se de
profunda admiração e puseram-se a louvar a Deus, dizendo: Nunca vimos coisa
semelhante. Mc 2,13 - Jesus saiu de novo para perto do mar e toda a multidão foi
ter com ele, e ele os ensinava. Mc 3,7 - Jesus retirou-se com os seus discípulos
para o mar, e seguia-o uma grande multidão, vinda da Galiléia. Mc 3,8 - E da
Judéia, de Jerusalém, da Iduméia, do além-Jordão e dos arredores de Tiro e de
Sidônia veio a ele uma grande multidão, ao ouvir o que ele fazia. Mc 3,9 - Ele
ordenou a seus discípulos que lhe aprontassem uma barca, para que a multidão não
o comprimisse. Mc 3,32 - Ora, a multidão estava sentada ao redor dele; e
disseram-lhe: Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e te procuram. Mc 3,34 - E,
correndo o olhar sobre a multidão, que estava sentada ao redor dele, disse: Eis
aqui minha mãe e meus irmãos. Mc 4,1 - Jesus pôs-se novamente a ensinar, à beira
do mar, e aglomerou-se junto dele tão grande multidão, que ele teve de entrar
numa barca, no mar, e toda a multidão ficou em terra na praia. Mc 5,21 - Tendo
Jesus navegado outra vez para a margem oposta, de novo afluiu a ele uma grande
multidão. Ele se achava à beira do mar, quando Mc 5,24 - Jesus foi com ele e
grande multidão o seguia, comprimindo-o. Mc 5,27 - Tendo ela ouvido falar de
Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe no manto. Mc 5,31 -
Responderam-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te comprime e perguntas:
Quem me tocou? Mc 6,34 - Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e
compadeceu-se dela, porque era como ovelhas que não têm pastor. E começou a
ensinar-lhes muitas coisas. Mc 8,1 - Naqueles dias, como fosse novamente
numerosa a multidão, enão tivessem o que comer, Jesus convocou os discípulos e
lhes disse: Mc 8,34 - Em seguida, convocando a multidão juntamente com os seus
discípulos, disse-lhes: Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a
sua cruz e siga-me. Mc 9,14 - Depois, aproximando-se dos discípulos, viu ao
redor deles grande multidão, e os escribas a discutir com eles. Mc 9,17 -
Respondeu um homem dentre a multidão: Mestre, eu te trouxe meu filho, que tem um
espírito mudo. Mc 10,46 - Chegaram a Jericó. Ao sair dali Jesus, seus discípulos
e numerosa multidão, estava sentado à beira do caminho, mendigando, Bartimeu,
que era cego, filho de Timeu. Mc 12,37 - Ora, se o próprio Davi o chama Senhor,
como então é ele seu filho? E a grande multidão ouvia-o com
satisfação.

Mas quase subitamente o entusiamo descai,as multidões afastam-se, ao encantamento e admiração segue sem demora a descrença,a indiferença,até o ódio.

O que sucedera ,então,se era o mesmo Jesus,terno,solicito,movido de compaixão pelas ovelhas sem pastor e sem pastagem,feridas ou tombadas pelas ravinas,já não sabendo o caminho de volta ao aprisco .


Porquê este absurdo da alma humana….recusar o Amor.. em mil provas concedido ?

Era chegada a hora dos lobos!

o lobo rouba e dispersa as ovelhas". (Jo 10,12)

06 fevereiro 2006

A cura da sogra de Pedro


Evangelho segundo S. Marcos 1,29

A sogra de Simão estava de cama com febre, e logo lhe falaram dela. Aproximando-se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los

Tudo está dito nalgumas frases aparentemente breves e simples
. .
A simplicidade do relato,a grandeza do gesto,a entrega ao serviço.

A urgência dos neo-discipulos em falar a Jesus da doença daquela mulher e a confiança q Nele depositam q Ele a cure.

A presteza de Jesus a estender a mão e a proceder à cura.

A rapidez da mulher a agradecer como sabia fazer melhor:em serviço

Sem exaltações ou elogios….mas como é significante este gesto de amor,de paz e até de reconciliação…começava a Sua ardorosa campanha a favor da dignificação da mulher numa sociedade que a confinava a circuitos meramente procriacionais.

E a sogra de Pedro mostra-nos a melhor forma de retribuir o Amor que Deus nos dedica.

Não foi com objectos de cera amarelecendo nas paredes de santuários,nem com plaquetas de mármore sobre os altares,velas consumindo-se a esmo ,fios e grilhões de ouro ao pescoço das estatuas ou até com penitências rastejantes NÃO...ela indica-nos O SERVIÇO como a melhor forma de gratidão...e pelas palavras do Mestre a que mais agrada ao Seu coração!

21 janeiro 2006

nas margens do lago


Passando ao longo do mar da Galileia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. E disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens.» Deixando logo as redes, seguiram-no. Um pouco adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco a consertar as redes, e logo os chamou. E eles deixaram no barco seu pai Zebedeu com os assalariados e partiram com Ele. MARCOS 1,16-20

Eles haviam passado um dia com Jesus,como nos relata o Evangelho de domingo passado ...e vinham já da pregação de João...sempre achei muito estranho que um desconhecido ,sem fazer uso de poderes especiais,lhes dissesse -Vem...e eles largarem tudo sem aquele "vem e vêde" inicial... Abriu-lhe os tesouros do Reino antes do chamamento nas margens do lago..e aí o apelo ficou irresistívell

18 janeiro 2006

...caminhavam





Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. (Lc 24,13)


Somos contemporâneos de Jesus...No partir do pão,na Palavra Ele sempre caminha ao nosso lado,como na estrada para Emaús...sempre nos faz arder o coração com a luz, que nos revela o seu Amor...e nos faz amar não só como no preceito,mas como ELE amou!

... a espada


Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada". (Mt 10,34)




Na verdade é preciso apontar a espada ao nosso egoismo,soberba,violência..
ervas daninhas que tanto custam a eliminar...

Conseguir viver no Amor é exercer violência, mas contra nós próprios,pois tantas vezes nos apetece comentar,criticar,responder
olho por olho,dente por dente...

Jesus conhecia-nos até ao fundo...e sabia quantos olhos,quantas mãos temos que arrancar para nos vencermos,para perdoarmos,para recomeçarmos a cada decepção do pecado!

Mas Ele espera-nos...Ele que é manso
e humilde de coração..(Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Mt 11,29).quer que o nosso coração seja igual ao DELE..
.e isso custa... se custa!!

17 janeiro 2006

...pesados e esmagadores...


Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos,disse:
Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés.
Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem.
Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo.
Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens, por isso trazem largas faixas e longas franjas nos seus mantos.
Gostam dos primeiros lugares nos banquetes e das primeiras cadeiras nas sinagogas. (Mat.23,1-6)


Jesus enfrenta mais uma vez o poder religioso,instalado na sua segurança ,na estrutura burocratizada de um carreirismo que se media pelo bom ar e as aparências,para impressionar e submeter as consciências ,apertando-as num torno de preceituação,a que se tinham como imunes.

Os funcionários de Deus revestiam-se de pompa e circustância,mas o seu coração estava endurecido pela arrogância e nada já espelhavam do Deus que afectavam servir,apenas se serviam e exaltavam a si próprios.

Jesus cava a sua própria sepultura ao desmontar este esquema de aparato ,com a chamada de atenção ao que era verdadeiramente importante!

..acesas as vossas lâmpadas


Estejam cingidos os vossos rins e acesas as vossas lâmpadas. (Lc 12,35)


Que fazemos para aumentar o nível de combustível nas nossas lâmpadas?

Sabemos que esse nível só pode crescer com os nossos actos do dia a dia...actos de esperança,actos de confiança,actos de perdão,actos de reconciliação,actos de Amor...que nos abrem as portas das núpcias eternas da alma com o seu Criador..

O Amado espera-nos! Vale a pena cuidar das nossas lâmpadas!!

O Evangelho do Reino...








Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, curando todas as doenças e enfermidades entre o povo. (Mt 4,23)


A Ti, Rei Imortal de um Reino sem guerras,sem poder,sem humilhados, sem excluidos...

Um reino de serviço,de paz,de bem estar, Te peço a luz suficiente para o construirmos isolando as nossas mesquinhices,quezilias,invejas a imposição das nossas verdades,

Para que apenas aceitemos o mandamento , que nos cura e exalta na plenitude da nossa humanidade: o comando do AMOR! Assim o tempo,o nosso tempo,será todo ele um ganho!

Foram apressadamente ...


Evangelho segundo S. Lucas 2,16-20

Foram apressadamente e encontraram Maria, José e o menino deitado na manjedoura.
Depois de terem visto, começaram a divulgar o que lhes tinham dito a respeito daquele menino.
Todos os que ouviram se admiravam do que lhes diziam os pastores.
Quanto a Maria, conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração.
E os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, conforme lhes fora anunciado.

Foi aos pastores,uma classe desprezada do povo, que foi anunciada a grande alegria.Como sempre ,em cada passo do Evangelho as vidas mais despojadas são as mais receptivas para aceitarem a estrondosa novidade do Verbo encarnado.

E assim aconteceu....deixando os seus afazeres...dirigiram-se apressadamente para o local indicado.

E "depois de terem visto" porque os olhos e o coração não estavam entorpecidos pela importância,pelas riquezas,pela autosuficiência ,eles não se puderam calar e testemunharam a Presença de Emanuel....